Sobre mudanças de gostos

*não consegui pensar num título legal

 (tudo o que eu digo aqui não tem base nenhuma e se aplica somente a mim. se a você também, legal! a gente é bem parecido e quer dizer que eu não tô louca sozinha no mundo! yey)

Sabe… eu acho que gosto evolui. Refina.

Quando você sabe pouco, seu gosto é bem limitado, e é basicamente o que a maioria – que me desculpe, mas a maioria sabe pouco – gosta. Então, você passa a se informar, e percebe que o que você gostava antes não é tão sua cara assim… há coisas melhores. E você sai do comum, do geral.

No meu começo no ballet, era SÓ clássico. Só. A única forma boa do ballet. Moderno, contemporâneo? ugh. atacava a gastrite.

Também tinha a música. Minha ligação com a música sempre foi muito grande. Foi por causa da música clássica que eu comecei a gostar de ballet, quando geralmente é o contrário (ou não? me help, gente). E, na música também, era SÓ clássica.

No meu começo, eu sabia bem pouco, sim. Mas meu pouco (sem soberba aqui) era mais que o pouco da maioria, porque eu não me contentava apenas com a prática, queria a teoria, queria entender como tudo funciona. Eu desmontava as coisas daqui de casa pra entender os mecanismos (e nunca montava de volta, hahaha! minha mãe cansou de comprar relógios). As pessoas me chamam de revoltada, de rebelde, mas eu não acho que seja. Eu só não aceito pouca explicação, eu quero saber como e porquê. E também não quero ser comum, geral. Me entendem?

Me chamaram de chata.

Ok, tanto faz. Às vezes, eu sou mesmo, hahah

Depois de algum tempinho pesquisando – e não que eu saiba muita coisa ainda, sou bem limitada -, meus gostos mudaram. Sabe, vi muita coisa pra continuar com a mente do começo. Acho que evolui, sim, mesmo que pouquinho. E percebi que não é do ballet clássico clássico clássico que eu gosto.

No MEU entender, no que EU percebo, o clássico está ligado mais à formas, linhas, ângulos. E eu sou ligada mais à música.

Não me matem! eu sei que tem o papo de sentimento, de transmitir, de passar uma história, de evocar emoções, de *bailarina não vive de perna alta*, de *vai usar sua perna alta pra fazer a cena da loucura de giselle*, e outras coisinhas, mas ballet é arte pra se ver. A estética tá muito forte aí e nem vem que não tem. Formas são importantes: as formas clássicas.

Daí que eu percebi que essas formas não são tão a minha cara. O movimento fluido, sabe, juntinho à música, sim! E não tem muito disso no ballet clássico.

E onde tem? No neoclássico, no Balanchine e no Jerome Robbins.

(nota: eu não sei quase nada das divisões de estilo do ballet. de corte, romântico, virtuose, etc etc, sei lá! Eu tenho alguma noção, mas tô eras distante de saber de verdade)

Me achei no neoclássico!

É como se a música saísse espontaneamente do corpo dos bailarinos junto ao movimento. Essa relação com a música que me fascina! E também, há mais liberdade nos movimentos. Essa rigidez clássica me cansou. Eu sou mais livre que o clássico.

Não sei se lembram, mas no exame para passar de grade, fiz o estudo livre, e não o estudo clássico. Fui a primeira da escola, haha.

Hoje em dia, olho com outros olhos para o contemporâneo. Ainda não morro de amores, ainda não sei bem o que é bom ou ruim, nem se é inovador, etc. Acredito que, com mais bagagem, assistindo mais e mais vezes, eu passe a gostar. Questão de evoluir? Não sei. Pode ser que eu realmente me pegue nessa fase e não mude, ou que tenha me achado no neoclássico, mas, também, nada me impede de apreciar obras contemporâneas.

°°°

Pra terminar: nada me enche mais o coração do que Serenade. Não tem um pas de deux que eu queira dançar mais que o primeiro de In The Night. Eu não quero ser Aurora, Odette, nem Kitri, quero ser a bailarina de The Concert. Os papéis clássicos são pra ver. Esses, eu quero dançar.

 

 

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2 comentários em “Sobre mudanças de gostos

  1. Passei por uma coisa parecida, Cyndi, mas foi dentro do clássico mesmo, uma coisa entre estilos de cias.
    Quando eu era mais nova (uns 12, 13 anos) comecei a ter mais contato com internet e, portanto, vídeos e fotos de bailarinos profissionais estrangeiros. Achava lindo aquelas russas com as pernas nas alturas (e o quadril desencaixado) nos tuts todos bordados, e queria ser igual. Quanto mais fouettés, mais eu babava. Pouco importava a cara de c*.
    Hoje já não. Claro que ainda sinto uma invejinha branca daquelas meninas rasgadas e super no eixo, mas os movimentos limpos e, mais do que isso, a expressão, me enchem os olhos. Até porque, como você colocou, ballet clássico é arte pra se ver.

  2. hahahaha, Sarah, adogo seus comentários! o//
    também me aconteceu a mesma coisa! Acho que a questão é entender a proposta mesmo de um ballet. Quando a gente não sabe, a gente gosta do que todo mundo gosta, né? 😉

    Beijocas!! ^_^

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