Sal

Tenho pensado nesse assunto há um tempo, mas não sei se tá maduro pra virar post. Vou escrever mesmo assim, daí a gente discute e amadurece isso, pode ser?

Bem, ballet é sobre contar histórias. Pra isso, usa-se o corpo, o rosto, os movimentos. Ninguém fala nada.

Há os personagens. Cada um tem sua história dentro da história, cada um tem uma personalidade.

Há também os bailarinos. Cada um tem seu estilo e suas características.

Juntando isso tudo, a gente tem a encenação. Esse conjunto tem que estar bem afinadinho pra plateia ter noção do que está acontecendo.

Daí eu me pergunto: o quanto do estilo/característica do bailarino que representa X personagem ~pode~ afetar tal personagem?

Por exemplo, se Gisele é do interiô, inocente, e tem problemas de coração – e isso é importante pra história – não interessa o quão virtuose é a bailarina… ela não tem que se portar como tal?

É uma pergunta mesmo.

Não dá pra sair colocando qualquer tempero em qualquer personagem.

Eu acho.

Não tenho certeza.

Masss, o bailarino também tem ~direito~ de se expressar no personagem, non? Também não acho que seja possível se anular totalmente. A encenação só vai parecer real se houver realidade nela – as experiências do próprio bailarino.

Mas também não é todo tipo de carne que combina com determinado tempero.

Enfim, reflexões.

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10 comentários em “Sal

  1. Acho que entendo o que você quer dizer. Ninguém vai acreditar no coração partido de uma Giselle com cara/jeito de mulherão, da mesma forma que uma Kitri com cara/jeito de menininha vai parecer só mais uma rebelde sem causa. No quesito ‘cara’ entra um pouco a caracterização também, mas figurino, maquiagem e coque não fazem milagre em ninguém

    1. Sim, isso tudo! Não dá pra ser tão incoerente com o personagem assim, mesmo que o bailarino seja muito diferente do personagem. Mas também me referi à “energia” do bailarino, uma particularidade inerente a ele e que talvez não encaixe no personagem… mas quem tá aqui pra decidir isso? o personagem tem uma listinha de personalidade, de dos e donts?

      Aí que fico com dúvida

      1. Não sei. Acho que aí cabe ao coreógrafo ter aquele feeling de qual bailarino tem a energia certa pra cada papel… Ou mesmo saber direcionar essa energia da maneira certa.

  2. Sim, é por isso que a Giselle da Osipova nunca me entrou, nem a da Guillem. Muita energia! Demasiada!
    É por isso que a Kitri da Svetlana e a da Olesya nunca me convenceram, muita delicadeza!
    É por isso que nunca gostei das Odiles da Cojocaru e da Semionova e da Obraztsova. Doçura demais!

    Alguns papéis simplesmente não se encaixam naquela bailarina!

    1. Aí entra meu questionamento: uma personagem é totalmente imutável? Assim, um personagem 100% bom, ou 100% mal é tão caricato, a gente não vê isso na vida real (alou, estamos falando de contos de fadas, hahah). Sempre tem nuances na personalidade.

      Mas eu pergunto: até quando a personalidade do bailarino ~pode~ influenciar a do personagem?

    2. Nossa, eu já acho o contrário, sabia? Amo o jeito ‘explosivo’ da Osipova dançar e acho que isso dá uma alegria inocente à Giselle que não tem explicação.
      Sabe quem não me convence simplesmente em papel nenhum? A Sarah Lamb :/

      1. Tem 3 Sara(h)s que não me convencem de jeito nenhum em ballet nenhum: Sarah Lamb, Sarah Lane e Sara Mearns. Dá nem pra entender se essas são bailarinas ou ginastas…

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