Destrinchando Giselle II – Giselle, a flor do campo

A partir de hoje, vamos falar das personagens, a começar pela personagem-título. O ballet todo gira em volta de Giselle. Mas quem é essa moça?

Uma camponesa alemã, filha de uma viúva (ao que parece), de saúde delicada e coração fraco. Ama dançar. Extremamente adorável.

Nesta entrevista, a Alina Cojocaru ❤ faz uma análise tão bonita da personagem. Coisa de quem é muito sensível e coisa de bailarina experiente também. Ela diz que pensa em Giselle como uma moça muito feliz. Ela tem a saúde fraca, provavelmente perdeu o pai… com certeza ela passou por momentos muito difíceis e, mesmo assim, ela é agradável e gentil com todo mundo. Todos gostam dela! Os camponeses a coroam como rainha da colheita, mesmo ela sendo fraca pra ajudar; seus amigos se reúnem em sua casa; todos param para vê-la dançar. É uma querida! Com certeza, uma pessoa com uma energia muito boa. Isso vai além de pensar nela como uma moça inocente e apaixonada.

Alina Cojocaru como Giselle pelo Paris Ballet, foto de Icare

WHY DO BAD THINGS HAPPEN TO GOOD PEOPLE

Giselle não é uma boba; não gosto quando a bailarina a faz tímida demais. Minha imagem dela é mais de uma otimista inveterada do que mocinha de interiô. Como Alina disse, como ela pode ser tão feliz mesmo tendo passado por tanto perrengue? Leveza. Só que… bem… tudo tem um limite. Ter o coração estraçalhado foi o limite dela. Ser desenganada, estando tão apaixonada como ela estava, é avassalador. Enlouquecedor!

E, apesar dor pesares, ela perdoa quem a feriu. Protege da morte quem lhe tirou o chão. Mesmo ela mesma tendo morrido… LEVEZA. A vida é muito curta pra odiar, guardar rancor. Vingança? Credo. “Eu que não”, diria Giselle.

Courtney Richardson como Giselle e Fabien Voranger como Albrecht pelo SemperOper Ballett

(+sarah)

Giselle, para mim, é uma das personagens mais desafiadoras do ballet clássico, pelo menos no aspecto cênico. Eu a vejo quase como uma criança, totalmente inocente, pura, doce e alegre, e da mesma forma que nem todas as bailarinas têm (ou são capazes de transmitir) a malícia de Odile, por exemplo (*cof cof* Sarah Lamb *cof cof*), nem todas as bailarinas transparecem essa leveza e pureza de espírito tão características de Giselle. Da mesma forma que eu não acreditaria em uma Odile frágil, desconfio de Giselles muito precisas tecnicamente ou donas de si. Notem que, diferente da Lise, de “La Fille Mal Gardée”, a Giselle (aparentemente) não bola planos pra “escapar” da mãe e ficar com o Loys/Albrecht. Ela resiste um pouco, mas depois entra em casa e fica por lá.

A melhor personagem da Alina Cojocaru, na minha opinião (e na dos críticos também) era, até um tempo atrás (confesso que desde que ela foi pro English National Ballet não acompanho sua carreira tão de perto), Aurora. Mas ela é a própria personificação de Giselle, né? Fofinha, delicada, mas na medida certa, sem ser tonta.

Sabem quem eu também acho uma Giselle incrível? Alessandra Ferri. Espia só:

Alessandra Ferri como Giselle e Massimo Murru como Albrecht pelo Alla Scala

Isso, meus amigos, é que é arte.

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