Destrinchando Giselle III – Meu nome não é Johnny

espero que a referência do título tenha dado a entender o personagem de hoje…

(+sarah)

AHAAAA!!!! Chegamos no motivo da minha revolta!
Ele mesmo, o grande vilão que quer se passar por mocinho da história. O príncipe canalha. Vem pra cá, Albrecht! Bom, vamos lá. Albrecht é o duque da Silésia, está noivo da Princesa Bathilde e é apaixonado por Giselle.
Pausa. Rebobina. Volta pra qualquer vez que a Sarah assistiu Giselle antes daquele fatídico dia em que caiu a ficha (dica: foram muitas).

Eu nem sempre achei que o Albrecht fosse o “culpado” da história. Aliás até pouco tempo eu nem cogitava isso. É óbvio que se ele não tivesse mentido nada teria acontecido – mas aí não teríamos história. Agora SE AQUELE HILARION NÃO FOSSE TÃO RECALCADO E CIUMENTO TERIA FICADO TUDO BEM. Eu acho. Ou não, porque afinal de contas Albrecht era um nobre e Giselle apenas uma camponesa (se alguém aí assiste a novela das seis da globo e acompanhou o rolê da Domitila e do Dom Pedro entende o que eu digo).

Vamos esquecer as classes sociais por um segundo. Bora focar no amô.

Pra mim o Albrecht é aquele cara príncipe, fofo. Meu crush dos repertórios (ele e o Romeu e o Colas e o Basílio e OPA FOI MAL). Podem me julgar (aliás, mais alguém aí tem crush em personagem de repertório? Não? Ah, bom, deixa eu voltar aqui…). Eu no lugar de Giselle teria caído feito patinho na lábia dele MAS AÍ É QUE TÁ. Seria lábia? Paixonite? Amor verdadeiro?

Eu sempre acreditei que era amor. Até hoje acredito, mesmo tendo me dado conta do mentiroso que ele é. Posso citar aqui vários exemplos que ajudaram a me convencer, mas deixo vocês com três: Mikhail Baryshnikov (APELEI EU SEI DESCULPA mas a cena dele ajoelhado aos pés da Natalia Makarova “morta” mexe comigo), Roberto Bolle (recomendo a versão do Alla Scala de 2005 com ele e a Svetlana Zakharova) e Sergei Polunin (Bolshoi, 2015, também com a Zakharova – sempre salva pelos pares em Giselle, hein, Madame Zakharova? Tem que ver isso aí).

“Mas Sarah, se ele a amava tanto por que não falar a verdade logo de uma vez? Por que não enfrentar a corte, terminar com a Bathilde e fazer da Giselle a princesa?”

Não ia pegar bem. Os camponeses provavelmente iam adorar, é claro, quem não amava Giselle?, mas a nobreza? As pessoas importantes da época? Outros reinos? Pfff (ver comentário ali em cima sobre a novela das seis). Por que mentir?

Eu, Sarah, particularmente acho que foi algo do tipo, “vou me aproximar dela e ver se sou correspondido, depois vejo o que faço”.

E você, Cyndi?

*Cyndi entra ao som de aplausos*

(+cyndi)

Acho que é de opinião geral que Albrecht não vale nada.

Como já aprendemos, Albrecht, duque de Silésia, era conhecido nas ruas da vila como Loys, camponês. Ele se “disfarçou” de morador para ter mais contato com sua crush, Giselle. O grande problema dessa história, maior do que mentir seu nome e sua riqueza, é que ele já era noivo da princesa Bathilde.

Antes de sair julgando, paus e pedras nas mãos, vamos considerar um pouquinho da história de fundo disso. Eu também era team #albrechtotário, mas hoje consigo enxergar o lado dele.

Carlos Acosta como Albrecht em Giselle pelo Royal Ballet, foto de Bill Cooper

Antigamente, os filhos da nobreza eram como moeda de troca por favores políticos, proteção, alianças etc. Muita união sem amor era feita, e acredito que esse seja o caso de Albrecht e Bathilde. Imagine não ter essa escolha? A de quem você vai passar o resto da vida… Deusolivre! Casos extraconjugais e amantes eram coisa normal na high society – não quero dizer, com isso, que seja correto.

Creio que Albrecht se apaixonou de verdade por Giselle. Não sabemos como eles se conheceram, mas eu consigo imaginar todo um cenário. Será que ele a viu de relance durante um passeio pela vila, e se encantou? Será que eles conversaram? Todo mundo gostava de Giselle, ela era um amorzinho. Muito fácil se apaixonar por ela. Giselle, por outro lado, era mais reservada nesse sentido. Imagino os dois interagindo timidamente, ganhando a confiança dela aos poucos, até, finalmente, as cenas de namorico que a gente pode ver no palco. Em sua posição social, ele sabia que não seria possível um relacionamento (e o compromisso também impedia, né), mas não julgo, gente, se ele teve essa vontade de viver o amor, de se sentir amado e – por que não? – se sentir livre por alguns momentos. Pode parecer que ele só queria um caso, ou uma diversão… mas seria bem mais fácil encontrar outras mulheres dispostas a isso sem precisar de toooodo o esforço pra conseguir Giselle, né não?

Jane Austen disse um vez, “somos todos tolos, quando apaixonados”… só que você foi tolo demais, hein, Albrecht?! Te entendo, mas não concordo com suas ações. E, assim como Giselle, te perdoo.

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