Anatomy of a dance, NYCB

O canal do New York City Ballet fez uma série de vídeos intitulada “anatomia de uma dança”, que são trechos de ballet comentados pelos bailarinos. É superbacana! Eles falam do que é difícil ou fácil, de como eles trabalharam pra fazer tal passo, ou o que os inspirou etc.

O que eu mais gostei, dos que vi, foram dois do pas de deux do terceiro ato de A Bela Adormecida, um com comentários da bailarina, Tiler Peck, e o outro do mesmo trecho com comentários do bailarino, Tyler Angle (engraçado, né? Nome unisex… hehe). Uma aulinha de pas se deux!

Como eles falam inglês, fiz o meu melhooooor pra ~traduzir~ pra vocês. Perdoem qualquer coisa. E quem notar algum errinho, avisa nos comentários 😉

Ah, também é legal assistir ao pas com a atenção voltada a quem está falando e imaginar que essa voz está na cabeça deles, hehe.

0:01 Meu nome é Tiler Peck e eu estou dançando o papel de Aurora, em A Bela Adormecida. Eu acho que A Bela Adormecida é, de longe, o papel mais difícil para a bailrina no repertório [creio que ela se referiu ao repertório da companhia]. Ele me assusta e me anima toda vez. (~essa parte eu nao entendi bem)

0:20 No pas de deux do casamento é a primeira vez que me sinto confortável e “em casa” e “graças a Deus sobrevivi até aqui”! Eu relaxo e só aproveito dançar com o Tyler [Angle].

0:37 Essa pirueta é, na verdade, mais difícil do que parece. Quero dizer, tudo [os passos] é fácil, mas por causa da direção que você vai no penché.., assim, não muita gente pode fazer isso com uma mão.

0:58 Com o tutu é bem difícil pra o partner ver suas pernas e saber onde está seu equilíbrio. Isso é uma habilidade que o Tyler tem, ele tem um senso natural pra isso.

1:16 Essa sequência é bem fácil. Você só tem que aproveitar o momento, e ficar no ar, e tentar pensar no seu port de bras.

1:31 E então, as famosas pescadas. Você realmente tem que descobrir com seu partner [acho que ela disse] se isso vai parecer ousado e emocionante mas, ao mesmo tempo, tem um controle que vocês tem que [hm..] ~lacrar.

1:48 Honestamente, é meio doido, na pirueta, ele tem que me pegar já caindo pra frente, e eu não sei como acontece, mas acontece de algum jeito!

1:59 Essa é a última [pescada] e é quando você tá pensando “graças a Deus as duas primeiras foram bem, só falta uma”! Meio que faz seu coração feliz, especialmente quando todas vão bem!

0:01 Meu nome é Tyler Angle e aqui eu estou dançando o pas de deux do casamento de A Bela Adormecida. Eu sou o príncipe Désire e minha Aurora é a Tiler Peck.

0:12 Esse é um ballet meio estressante, porque é muito rígido [ele quis dizer, aqui, muito coisa ~de corte, sabe? Gente de castelo e nobreza e tudo o mais], é sobre executar apropriadamente os passos. É um trabalho bem tradicional, e você percebe isso em muitos movimentos, é bem evidente que isso [a história] aconteceu num ambiente de corte.

0:35 Aqui é um movimento meio complicado no pas de deux. Ela dá dois passos pra pirueta, grand rond de jambe indo pra um penché, e faz tão bem!, ela sabe exatamente onde seu peso deve ficar, assim eu consigo fazer os dois promenades com uma mão.

0:54 Num ballet tão icônico, onde tantas pessoas dançaram por tantos anos, é interessante achar onde nossa individualidade aparece.

1:03 Aqui, por exemplo, você vê que a Tiler, ao invés de parar abruptamente o braço no fim da pirueta , meio que para o braço e continua crescendo com a mão.

1:15 Esses levantamentos não são difíceis, quero dizer, há alguns detalhes técnicos, como você tem que levantar a bailarina na sua frente, então ela não fica diretamente no seu peito, mas a jaqueta é tão, tão pesada! Não dá pra notar daqui, mas ela é cheia de linhas de ouro e pedraria, o que faz os levantamentos ficarem mais difíceis.

1:36 E essa é a famosa diagonal das pescadas. Você tem que usar o momento que já existe no giro pra meio que não empurrar as pernas dela, então é basicamente uma pegada, e não um levantamento.

1:49 Eu tento fazer o passo em um movimento [(gente, reparem que ainda tem um dégage, socorr)], que assim a perna de baixo não balança debaixo dela e a perna de cima não mexe. A gente tenta não mexer aqui.

2:00 Eu acho que foi um processo bem legal, nós trabalhamos duro por muito tempo, então nós fomos capazes de chegar a um ponto onde estávamos confortáveis e gostar de nós mesmos no palco.

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Eu amei essa série! Acho que vou fazer outro post assim, mais tarde. 😊

Chá das quatro

Um teeempo atrás, fiz um post sobre o Pas de Quatre que eu 1. amo 2. gosto de imaginar o babado que foi na época 3. queria dançar tudo 4. partilho o sentimento com mais três amigas – unidas pela dança – de que nós deveríamos dançar juntas, cada uma já encaixadinha nos papéis.

Esse ballet foi criado em 1845, reunindo as maiores bailarinas do tempo: Marie Taglioni, Fanny Cerrito, Carlotta Grisi e Lucile Grahn (que foi chamada pra substituir uma recusa da maior rival das quatro, Fanny  Elssler).

(Todo mundo era meio rival, na verdade, oloko)

Nessa época, as bailarinas eram idolatradas. Imaginem a briga de egos! Imaginem o frisson da estreia! As coreografias foram criadas pra exibir o melhor de cada uma. Pra não ter briga, foram ordenadas por ordem de idade, da mais nova para a mais velha. O figurino é praticamente igual, só mudam as flores no cabelo, imagino que pra facilitar a identificação, e que a Taglioni usa joias.

Nesta versão, a bailarina não usa:

Esse vídeo está completinho, com as variações e a coda, mas eu também vou postar s variações separadas pra ficar mais fácil. Aqui, aqui e aqui outras filmagens, com bailarinas brilhantes de outras épocas.

Lucile Grahn

A bebê do grupo, prodígio. A variação é bem serelepe!, tem muito entrechat quatre e é muito vívida. Essa seria eu, a mais novínea das quatro.

Carlotta  Grisi

Gosto dessa variação, é uma delicadeza! E bem difícil também, hehe. Dizem que ela foi uma grande intérprete de Giselle e creio que essa variação é bem a cara da camponesa mesmo, alegre e doce!

Fanny Cerrito

Olha que dó de variação curtinha (mas gostosa) e ainda divide um comecinho com as outras. Mas ela devia ser muito musical e ter saltos lindos, porque a variação pede. Ah, ela foi muito reconhecida como coreógrafa também, uma proeza pra uma mulher daquele tempo!

Marie Taglioni

“Dona” da coisa toda. Não vou com a cara dela MAS o figu tá show de bola! Queria colarzinho de pérolas também. </3 É a variação que menos gosto, hehe. Como ela foi muito reconhecida pelo papel em La Sylphide, a variação parece uma extensão da atuação dela.

E então, pessoas, o que vocês acham que aconteceu? Será que teve muita intriguinha? Ciúmes? Eu, se fosse a Fanny, não ia gostar de ter um variação menor assim… porque será que só a Taglioni usa pérolas?

Sexta-feira no globo repórter

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Migues, as vidas delas foram muito agitadas, pelo visto. Os links nos nomes (todos em inglês) tem uns detalhes bem legais e eu tô é chocada.

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Cooontem qual seria a variação de vocês pra gente montar outros castings! Hahah

Vale você e três amigues de verdade, ou três bailarinas famosas, ou quem você queria que reunissem hoje.

Eu reuniria minhas bebês do Royal, hehe, não é novidade! ❤

Shall we dance?

Enquanto outro post com significância não sai, bora ver minhas danças favoritas em filmes/musicais

Shall we dance?, de O rei e eu

 

The Laendler, de A noviça rebelde

 

Good Morning, de Cantando na chuva

 

=) Vocês também gostam? Quais são seus favoritos?

 

Cheek to Cheek, de O picolino

 

♪♫ if you like pina… bausch

Acho que eu nunca postei aqui um dos meus amores.

(excluíram o vídeo completo. taí uma parte dele, e uma parte do solo da Marie-Agnès)

Gosto tanto, mas tanto! ouço a música o dia inteiro! Amo esse figurino (mesmo pensando que teria que ser outra cor pra mim); amo a parte do corpo de baile; amo a parte das solistas; amo a parte principal – a Marie-Agnès tá divina!-. Dá vontade de ser qualquer um nessa dança, até a cantora.

O que é louco, loko, é que eu não gosto de contemporâneo (peraí, pina é dança contemporânea ou moderna? pela data aqui que eu vi, presumo que é contemporânea. anyway). Sempre tive problemas com esse estilo de dança. Vai ver era a qualidade que falta nas produções que vi. Era tudo tão do mesmo, umas expressões vazias de significado, e uns nomes muito piegas. haha.

Não sei, talvez um dia eu saiba apreciá-los. Enquanto isso, eu fico com a pina col.. ah, quer dizer, com a Pina Bausch mesmo.

música

~tô pensando em usar o blog tipo um twitter. posts curtos (nem tanto)~

galere, eu sou uma fã de música clássica ridícula. choro mesmo. finjo que tô regendo mesmo. faço caras e bocas mesmo. gostava antes de música clássica do que ballet, e acho que o primeiro levou ao último, ou fez gostar mais.

sei lá. é muito importante para mim, quando gosto de um bailarino qualquer, que ele seja musical. mas, ser musical é mais do que fazer o movimento na música, é fazer o movimento “NA” música. Entenderam? não é só estar no tempo certo, plié no tempo 3, salto no buum!, posé no final perfeito. É sentir a música de verdade, estar mergulhado nela.

acho que descobri, então, o porquê da minha implicância com a zakharova. não sinto isso nela. ficou claro quando vi este vídeo dela, da variação da visão de raymonda:

sendo que eu já tinha amado esta aqui:

meoDeos. Olha as mudanças sutis do olhar com as mudanças sutis da música. olha esSE PORT DE BRÁS. (o figurino também, gente, tá mavarilhoso). you go, madoka coco!

mas achei a svetlana tão sequinha. tenho a impressão que se ela dançasse com um metrônomo ia ser a mesma coisa, sabe?

ººº

eu nunca acompanhei a sveta. acho que o amô não colou porque: 1. não sou fã desses pernão todo em variação clássica, nem exagero, nem técnica russa, hehe. 2. no meu começo no ballet, eu só via a moça sequinha. ela melhorou sim, olha essa variação de a filha do faraó, que eu amo <3. tá sentindo mais, né? mas ainda não colou.

gente, não tô de implicância não! não me mata!