Destrinchando Giselle III – Meu nome não é Johnny

espero que a referência do título tenha dado a entender o personagem de hoje…

(+sarah)

AHAAAA!!!! Chegamos no motivo da minha revolta!
Ele mesmo, o grande vilão que quer se passar por mocinho da história. O príncipe canalha. Vem pra cá, Albrecht! Bom, vamos lá. Albrecht é o duque da Silésia, está noivo da Princesa Bathilde e é apaixonado por Giselle.
Pausa. Rebobina. Volta pra qualquer vez que a Sarah assistiu Giselle antes daquele fatídico dia em que caiu a ficha (dica: foram muitas).

Eu nem sempre achei que o Albrecht fosse o “culpado” da história. Aliás até pouco tempo eu nem cogitava isso. É óbvio que se ele não tivesse mentido nada teria acontecido – mas aí não teríamos história. Agora SE AQUELE HILARION NÃO FOSSE TÃO RECALCADO E CIUMENTO TERIA FICADO TUDO BEM. Eu acho. Ou não, porque afinal de contas Albrecht era um nobre e Giselle apenas uma camponesa (se alguém aí assiste a novela das seis da globo e acompanhou o rolê da Domitila e do Dom Pedro entende o que eu digo).

Vamos esquecer as classes sociais por um segundo. Bora focar no amô.

Pra mim o Albrecht é aquele cara príncipe, fofo. Meu crush dos repertórios (ele e o Romeu e o Colas e o Basílio e OPA FOI MAL). Podem me julgar (aliás, mais alguém aí tem crush em personagem de repertório? Não? Ah, bom, deixa eu voltar aqui…). Eu no lugar de Giselle teria caído feito patinho na lábia dele MAS AÍ É QUE TÁ. Seria lábia? Paixonite? Amor verdadeiro?

Eu sempre acreditei que era amor. Até hoje acredito, mesmo tendo me dado conta do mentiroso que ele é. Posso citar aqui vários exemplos que ajudaram a me convencer, mas deixo vocês com três: Mikhail Baryshnikov (APELEI EU SEI DESCULPA mas a cena dele ajoelhado aos pés da Natalia Makarova “morta” mexe comigo), Roberto Bolle (recomendo a versão do Alla Scala de 2005 com ele e a Svetlana Zakharova) e Sergei Polunin (Bolshoi, 2015, também com a Zakharova – sempre salva pelos pares em Giselle, hein, Madame Zakharova? Tem que ver isso aí).

“Mas Sarah, se ele a amava tanto por que não falar a verdade logo de uma vez? Por que não enfrentar a corte, terminar com a Bathilde e fazer da Giselle a princesa?”

Não ia pegar bem. Os camponeses provavelmente iam adorar, é claro, quem não amava Giselle?, mas a nobreza? As pessoas importantes da época? Outros reinos? Pfff (ver comentário ali em cima sobre a novela das seis). Por que mentir?

Eu, Sarah, particularmente acho que foi algo do tipo, “vou me aproximar dela e ver se sou correspondido, depois vejo o que faço”.

E você, Cyndi?

*Cyndi entra ao som de aplausos*

(+cyndi)

Acho que é de opinião geral que Albrecht não vale nada.

Como já aprendemos, Albrecht, duque de Silésia, era conhecido nas ruas da vila como Loys, camponês. Ele se “disfarçou” de morador para ter mais contato com sua crush, Giselle. O grande problema dessa história, maior do que mentir seu nome e sua riqueza, é que ele já era noivo da princesa Bathilde.

Antes de sair julgando, paus e pedras nas mãos, vamos considerar um pouquinho da história de fundo disso. Eu também era team #albrechtotário, mas hoje consigo enxergar o lado dele.

Carlos Acosta como Albrecht em Giselle pelo Royal Ballet, foto de Bill Cooper

Antigamente, os filhos da nobreza eram como moeda de troca por favores políticos, proteção, alianças etc. Muita união sem amor era feita, e acredito que esse seja o caso de Albrecht e Bathilde. Imagine não ter essa escolha? A de quem você vai passar o resto da vida… Deusolivre! Casos extraconjugais e amantes eram coisa normal na high society – não quero dizer, com isso, que seja correto.

Creio que Albrecht se apaixonou de verdade por Giselle. Não sabemos como eles se conheceram, mas eu consigo imaginar todo um cenário. Será que ele a viu de relance durante um passeio pela vila, e se encantou? Será que eles conversaram? Todo mundo gostava de Giselle, ela era um amorzinho. Muito fácil se apaixonar por ela. Giselle, por outro lado, era mais reservada nesse sentido. Imagino os dois interagindo timidamente, ganhando a confiança dela aos poucos, até, finalmente, as cenas de namorico que a gente pode ver no palco. Em sua posição social, ele sabia que não seria possível um relacionamento (e o compromisso também impedia, né), mas não julgo, gente, se ele teve essa vontade de viver o amor, de se sentir amado e – por que não? – se sentir livre por alguns momentos. Pode parecer que ele só queria um caso, ou uma diversão… mas seria bem mais fácil encontrar outras mulheres dispostas a isso sem precisar de toooodo o esforço pra conseguir Giselle, né não?

Jane Austen disse um vez, “somos todos tolos, quando apaixonados”… só que você foi tolo demais, hein, Albrecht?! Te entendo, mas não concordo com suas ações. E, assim como Giselle, te perdoo.

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Destrinchando Giselle II – Giselle, a flor do campo

A partir de hoje, vamos falar das personagens, a começar pela personagem-título. O ballet todo gira em volta de Giselle. Mas quem é essa moça?

Uma camponesa alemã, filha de uma viúva (ao que parece), de saúde delicada e coração fraco. Ama dançar. Extremamente adorável.

Nesta entrevista, a Alina Cojocaru ❤ faz uma análise tão bonita da personagem. Coisa de quem é muito sensível e coisa de bailarina experiente também. Ela diz que pensa em Giselle como uma moça muito feliz. Ela tem a saúde fraca, provavelmente perdeu o pai… com certeza ela passou por momentos muito difíceis e, mesmo assim, ela é agradável e gentil com todo mundo. Todos gostam dela! Os camponeses a coroam como rainha da colheita, mesmo ela sendo fraca pra ajudar; seus amigos se reúnem em sua casa; todos param para vê-la dançar. É uma querida! Com certeza, uma pessoa com uma energia muito boa. Isso vai além de pensar nela como uma moça inocente e apaixonada.

Alina Cojocaru como Giselle pelo Paris Ballet, foto de Icare

WHY DO BAD THINGS HAPPEN TO GOOD PEOPLE

Giselle não é uma boba; não gosto quando a bailarina a faz tímida demais. Minha imagem dela é mais de uma otimista inveterada do que mocinha de interiô. Como Alina disse, como ela pode ser tão feliz mesmo tendo passado por tanto perrengue? Leveza. Só que… bem… tudo tem um limite. Ter o coração estraçalhado foi o limite dela. Ser desenganada, estando tão apaixonada como ela estava, é avassalador. Enlouquecedor!

E, apesar dor pesares, ela perdoa quem a feriu. Protege da morte quem lhe tirou o chão. Mesmo ela mesma tendo morrido… LEVEZA. A vida é muito curta pra odiar, guardar rancor. Vingança? Credo. “Eu que não”, diria Giselle.

Courtney Richardson como Giselle e Fabien Voranger como Albrecht pelo SemperOper Ballett

(+sarah)

Giselle, para mim, é uma das personagens mais desafiadoras do ballet clássico, pelo menos no aspecto cênico. Eu a vejo quase como uma criança, totalmente inocente, pura, doce e alegre, e da mesma forma que nem todas as bailarinas têm (ou são capazes de transmitir) a malícia de Odile, por exemplo (*cof cof* Sarah Lamb *cof cof*), nem todas as bailarinas transparecem essa leveza e pureza de espírito tão características de Giselle. Da mesma forma que eu não acreditaria em uma Odile frágil, desconfio de Giselles muito precisas tecnicamente ou donas de si. Notem que, diferente da Lise, de “La Fille Mal Gardée”, a Giselle (aparentemente) não bola planos pra “escapar” da mãe e ficar com o Loys/Albrecht. Ela resiste um pouco, mas depois entra em casa e fica por lá.

A melhor personagem da Alina Cojocaru, na minha opinião (e na dos críticos também) era, até um tempo atrás (confesso que desde que ela foi pro English National Ballet não acompanho sua carreira tão de perto), Aurora. Mas ela é a própria personificação de Giselle, né? Fofinha, delicada, mas na medida certa, sem ser tonta.

Sabem quem eu também acho uma Giselle incrível? Alessandra Ferri. Espia só:

Alessandra Ferri como Giselle e Massimo Murru como Albrecht pelo Alla Scala

Isso, meus amigos, é que é arte.

Destrinchando Giselle I – Senta que lá vem história

(+sarah)

Esse primeiro post vai ser mais teórico (porque bailarina clássica tem que estudar teoria, SIM), contando a história do ballet, fofocas curiosidades, etc. Então vamos lá.

“Giselle” é o grande símbolo do ballet no Romantismo (exemplos de obras dessa época: Iracema, Noite na Taverna, O Guarani, Canção do Exílio, O Navio Negreiro, Memórias de Um Sargento de Milícias… Acho que já deu pra se situar, né?). O libreto foi escrito por Vernoy de Saint-Georges, Théophile Gautier e Jean Coralli, a coreografia é de Jean Coralli e Jules Perrot e a música é de Adolphe Adam, que também compôs “O Corsário” e outro ballet chamado “La Filleule des Fées”, além de diversas óperas cômicas.

“Giselle” foi criado em 1840 e sua estreia ocorreu em 28 de junho (MEU ANIVERSÁRIO! ❤ com um século e meio de diferença, mais ou menos) de 1841, na Ópera de Paris.

A bailarina responsável pela interpretação da personagem principal foi Carlotta Grisi (isso mesmo, a do Pas de Quatre e da sapatilha de ponta), para quem Gautier criou o papel. Lucien Petipa (não, não era o coreógrafo – aquele é Marius, irmão dele) interpretou Albrecht e o próprio Jean Coralli ficou responsável por dar vida a Hilarion.

O ballet se passa na Alemanha (sempre achei que fosse na França, mas minhas fontes apontaram Alemanha, então vamos nessa) e conta a história de uma jovem camponesa, Giselle, por quem um nobre, o Duque Albrecht (sempre achei que fosse Conde, mas minhas fontes apontaram Duque), da Silésia, se apaixona. Para conquistar sua amada, ele finge ser um camponês chamado Loys, e seu sentimento é correspondido por Giselle. Contudo, o caçador Hilarion, que também é apaixonado por Giselle, desconfia de Loys e está sempre à espreita tentando desmascará-lo.

O ballet começa com o dia amanhecendo e os camponeses indo para a colheita; é vindima, época de uvas. Hilarion se aproxima da casa de Giselle e, como sempre, desconfia de “Loys”, que “mora” na casa em frente. Depois que Hilarion sai de cena (ou, em algumas versões, se esconde), Albrecht/Loys aparece, acompanhado de seu criado, Wilfrid. Albrecht conta que está apaixonado por Giselle e Wilfrid tenta convencê-lo a abandonar tudo e voltar para a corte, sem sucesso. Quando é dispensado, Wilfrid se despede com uma reverência, o que (nas versões em que ele está escondido) surpreende Hilarion e levanta mais suspeitas.

Albrecht/Loys bate à porta da casa de Giselle e ela aparece. Eles dançam juntos, mas são interrompidos por Hilarion, que se declara para Giselle e é rejeitado. Ele intimida Albrecht para um duelo e o duque instantaneamente gesticula para puxar a espada da cintura, mas lembra que está vestido como camponês e não carrega sua espada consigo.
Hilarion vai embora. Outros camponeses aparecem e Giselle e suas amigas dançam para comemorar o final da colheita.

Berthe, mãe de Giselle (aliás, por que é que, tirando Julieta e Aurora, as mocinhas do ballet NUNCA tem o pai E a mãe? #mistério), sai de casa atrás da filha e, ao descobrir que ela estava dançando, a repreende, lembrando de seu coração fraco. Berthe aproveita os camponeses reunidos e conta a história das Willis, que são noi­vas mor­tas na vés­pera do casa­mento, cuja alma não consegue des­can­sar nas sepul­tu­ras. À meia-noite, elas levan­tam de seus túmulos e se encon­tram. Qualquer rapaz que cruze o cami­nho delas é for­çado a dan­çar até a morte. Elas estão ves­ti­das de noiva, arranjo de flo­res na cabeça e anel no dedo. Depois dessa cena, Giselle tem que voltar para casa e os camponeses vão embora. Nesse momento, Wilfrid aparece, alertando Albrecht sobre a chegada dos nobres, e o duque vai embora. Hilarion aproveita esse momento para entrar na “casa” do rival.

Os nobres, acompanhados pelo Príncipe de Courtland e sua filha Bathilde, chegam à vila, e Berthe e Giselle os recebem. Bathilde e Giselle conversam, e a camponesa conta que está apaixonada e prestes a se casar, e é presenteada pela princesa com um colar (em algumas versões é uma espécie de colar de contas feito com pedras preciosas, em outras é uma corrente simples com um pingente). Mais alguns camponeses dançam (nesse momento temos o Pas de Paysant) e os nobres se hospedam na casa de Giselle e em outras casas próximas. O Príncipe de Courtland deixa pendurado na porta da casa de Giselle uma espécie de corneta, para chamar os outros nobres quando acordar.

Hilarion sai da casa de “Loys” carregando a espada que encontrou, e se depara com a corneta pendurada do lado de fora da casa de Giselle. Alguns camponeses se aproximam e ele foge.

Giselle é chamada por seus amigos (em algumas versões, esse é o momento em que ela é coroada “rainha” da vindima) e Albrecht/Loys está por perto. Mais uma vez o casal dança, acompanhado de outros camponeses, até que Hilarion aparece para desmascarar o Duque. Ele mostra a todos a espada de Albrecht, que nega tudo, então Hilarion chama os nobres com a corneta. Sem ter para onde fugir, Albrecht é confrontado por Bathilde sobre seus trajes de camponês, e responde que tudo não passou de uma brincadeira.

Desesperada, Giselle interrompe a conversa dos dois e diz para a Princesa que Loys é seu noivo, e leva um susto quando Bathilde diz que também é noiva de Loys, mas que ele, na verdade, é o Duque Albrecht. A camponesa arranca o colar que ganhou de Bathilde e o joga no chão, tenta cometer suicídio com a espada de Albrecht, é assombrada pelas Willis e se lembra de seus momentos com Albrecht, até que seu coração não aguenta mais e ela morre nos braços do Duque.

O segundo ato se passa na floresta, à noite. O corpo de Giselle já foi sepultado e Hilarion e Albrecht vão ao local para demonstrar seu amor e seu remorso. Giselle aparece para Albrecht e eles dançam juntos. Hilarion encontra as Willis e é forçado a dançar até morrer de exaustão; várias vezes ele implora piedade de Myrtha, Rainha das Willis, mas ela não cede. Albrecht aparece logo depois e recebe a mesma pena de Hilarion, mas Giselle o protege usando a cruz de seu túmulo e tomando o lugar do Duque na dança em alguns momentos, o que faz com que ele sobreviva até o nascer do sol, quando as Willis desaparecem.

C’est fini. Lágrimas. Aplausos. Gritos. Flores. Mais lágrimas.

Algumas curiosidades:

1- Apesar de ter sido responsável por grande parte da coreografia, como os solos de Giselle, a cena da loucura e a dança de Hilarion com as Willis, Jules Perrot não recebeu os devidos créditos pela coreografia. Como colaborador, ele teria direitos autorais sobre a peça. Acredita-se que ele tenha aceitado isso porque tinha esperança de ser promovido dentro do teatro onde ocorreu a estreia, o Paris Opera. Somente já no século XX, com a intervenção de Serge Lifar, é que a Ópera de Paris passou a dar os créditos a Jules Perrot.

2- Carlotta Grisi, a Giselle da estreia, também nasceu em 28 de junho, mas em 1819, exatos 22 anos antes da estreia do ballet. Aliás, Giselle foi seu papel mais conhecido. Grisi viveu bastante para a época (eu acho), quase 80 anos, até 20 de maio de 1899. Grisi dançou Giselle aqui no Brasil em 23 de junho de 1949, e dois dias depois, durante aniversário da coroação de D. Pedro II.

3- Quando Giselle foi montado na Rússia pela primeira vez, o papel principal coube a Fanny Elssler, que foi convidada para dançar o Pas de Quatre com Carlotta Grisi, Fanny Cerrito e Marie Taglioni, mas não aceitou e foi substituída por Lucile Grahn.

4- Auguste Bournonville estava em Paris durante a montagem de Giselle e passou alguns dias com Jules Perrot e Carlotta Grisi; acredita-se que ele tenha auxiliado Perrot na montagem do ballet.

5- O Pas de Paysant foi inserido no último minuto, para Nathalie Fitzjames, em favor a uma influente patrocinadora, Mademoiselle Fitzjames, tendo sido dançado com Auguste Mabille.

6- Giselle saiu do repertório da Ópera de Paris em 1867, e só retornou em 1910 com o Ballets Russes, graças a Sergei Diaghilev. Nessa ocasião, Tamara Karsavina e Vaslav Nijinski interpretaram os papéis principais.

7- A coreografia que conhecemos hoje tem como base a montagem de Petipa (o Marius) de 1887. Como todos os ballets, essa coreografia sofreu alterações ao longo do tempo, mas a versão mais próxima desse original de Petipa é do Mariinsky Ballet.

8- Na versão do Bolshoi (e acredito que nas demais companhias russas também), Hilarion recebe o nome de Hans das Ilhas do Sul. Deve ser mais fácil para a pronúncia dos russos.

9- Na coreografia original, Giselle comete suicídio com a espada de Albrecht, mas a cena foi considerada muito chocante na época, causando rejeição do público, então foi feita uma alteração no libreto e ela passou a morrer do coração. Com essa alteração, o ballet foi um sucesso absoluto. (“Sarah, todo mundo sabe disso”. Ah, vai que tem alguém ouvindo falar do assunto pela primeira vez?)

10- As Willis foram amplamente inspiradas em um trecho da obra “De l’Allemagne”, de Heinrich Heine, com o qual Saint-Georges se encantou e imediatamente quis criar um ballet a partir do que tinha lido.

Então é isso, gente! Esperamos que vocês tenham gostado, amanhã tem mais 😉

 

Destrinchando Giselle

[com voz de apresentadora de talkshow] Giselle… Um clássico é um clássico, né, amores? Vemos mil vezes e não enjoamos. Sabemos de cor cada movimento, cada música. Assistimos à diversas montagens diferentes. E, se você é nerd como eu e como minha belíssima convidada: Sarah Prado, câncer com ascendente em capricórnio, phD em comentários nesse blog, provavelmente já se questionou uma ou duas coisinhas nessa história toda.
[Sarah entra ao som de uma salva de palmas]

Pois, meu caro leitor nerd*, para sua alegria (ou não) e para o nosso alívio (afinal), semana que vem será dedicada à uma análise ~profunda ~ do ballet Giselle.

°°°

*Se em plenos 2017 você ainda lê blog de ballet, você é nerd, não negue. Bem vibdo ao clube! Aqui sua carteirinha. Tem biscoitinhos ali na mesa, fique à vontade 🙂

ººº

(+sarah)

Oi, gente!
Eu sou a Sarah, prazer, e se você é um(a) frequentador(a) assíduo(a) do blog com certeza já deu de cara comigo pirando nos comentários. Juro que sou legal.

Então. Eu amo Giselle, assim como todas as bailarinas que eu conheço (OI, CÁSSIA! acena <3). Um dia desses estava assistindo a esse ballet pela milésima oitava vez (a versão do Bolshoi de 2015, com a Svetlana Zakharova e o Sergei Polunin, caso alguém tenha ficado curioso) e tive um insight, me caiu a ficha de uma coisa que me deixou louca da vida, então vim aqui desabafar. Não vou contar o que é pra não dar spoiler dos próximos posts (DEUS TÁ VENDO VOCÊS IREM ATRÁS DOS MEUS COMENTÁRIOS, PAREM DE TRAPACEAR). Resumindo: falei com a Cyndi sobre o assunto, criamos um tema pra post, mas conversa vai, conversa vem e um tema deu origem a sete.

“Cyndi, por que então a gente não aproveita que outro dia mesmo foi aniversário da estreia de Giselle e tiramos uma semana só pra falar sobre isso?”

“Boa ideia!”

E assim nasceu o projeto (ui, que chique) “Destrinchando Giselle”. Ao longo dessa semana vamos analisar e discutir vários aspectos desse que é um clássico dos repertórios e convidamos vocês a se juntarem a nós, quem sabe aprenderem um pouquinho e, por que não?, compartilharem o que sabem também!

Esperamos que gostem! Até o próximo post!


Os links serão atualizados assim que disponíveis 😉

Destrinchando Giselle I – Senta que lá vem história

Destrinchando Giselle II -Giselle, fina flor do campo

Destrinchando Giselle III – Meu nome não é Johnny

Destrinchando Giselle IV – Friendzone

Destrinchando Giselle V – Loucura, som e fúria

Destrinchando Giselle VI – Documentário investigativo: Myrtha, Zulma e Moyna

Destrinchando Giselle VII – Curtain Call

 

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Ui!

Hoje é meu aniversário!

Esse último ano foi tão louco, mas tão louco… dei grandes passos na minha vida, tive experiências maravilhosas, conheci pessoas incríveis! Acho que até postei mais por aqui, heheh.

Muito obrigada a vocês que continuaram comigo, mais um ano! Engraçado lembrar de quando eu comecei, aos 16 anos, e de como mudei – e muito! – desde lá! Do estilo de escrita à opiniões, e o modo de encarar a dança e sua importância na minha vida. E, sinceramente, espero continuar mudando.

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Tomara que o ano por vir seja mais louquinho ainda. Chapeleiro, me chama que eu vou!

Jewels

Hoje é a estreia de um evento maravilhoso no Lincoln Center: três cias. de ballet vão dançar Jewels, de Balanchine, em comemoração ao aniversário de 50 anos da estreia do ballet. São elas o Paris Ballet, o New York City Ballet e o Bolshoi. O Paris vai dançar a parte de Esmeraldas, e o NYCB e o Bolshoi vão alternar a parte de Rubis e Diamantes.

Cês têm noção de como isso é magnífico, né?! Além de serem 3 cias incríveis, também são as três cias em que Balanchine se “inspirou” ou “dedicou” o ballet: a pureza do ballet francês ficou com as esmeraldas; o dinamismo do ballet americano ficou com os rubis; a elegância do ballet russo ficou com os diamantes. EXATAMENTE COMO VAI SER APRESENTADO HOJE!

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Creio que Balanchine teria um troço, haha. Eu soltei uma lagriminha quando fiquei sabendo (ah, obrigada por me lembrar, Sarita!).

Eu, na primeira vez que assisti ao ballet, achava que era uma “representação” das grandes eras do ballet – o romantismo, a era clássica e o neo-clássico de Balanchine.

Alguém me teletransporta pra Nova Iorque!! Pago uma coxinha!

Minhas sapatilhas e suas histórias – Partner Student

Olha só pra mim, continuando uma série depois de anos!

Pra quem não lembra (ou não estava aqui), eu comecei a contar sobre as minhas experiências com sapatilhas. Não foi/é nem um pouco fácil pra mim, como imagino que não seja pra muita gente. Meu pé quase não curva (não atinge a linha ideal, não tenho força), eu torci o tornozelo direito duas vezes – então ele é bem mais fraco que o esquerdo – e, pra completar, tenho um problema no joelho.

Li diversos artigos sobre sapatilhas pra tentar acertar. Enfim. Não acertei ainda, mas #fff. Esses artigos basicamente dizem que: pé forte, palmilha resistente; pé fraco, palmilha mole; pesada, palmilha dura. COMOFAS se eu tenho pé fraco e sou pesada?

Os profs disseram: palmilha mole. Fui. Era a Grisi, primeiro post da série. Não deu certo. Tentei uma mais dura, a Partner 180. Também não deu certo, segundo post.

E então, voltei pro team mole: Partner Student. Terceiro post, hehe.

Pensa numa delicinha! Amey amei. Ficava uma graça no meu pé, e eu conseguia fazer piqués numa boa (o que era o maior problema da P. 180). Eu tinha força suficiente pra forçar a caixa em ponta, massss….. eu não sentia firmeza nela. Claro. Partners Students não são feitas pra mocinhas grandonas. É o tipo de sapatilha degrau, acho. Você (eu, no caso) vai quebrar muitas dessa em pouco tempo até fortalecer os pés/tornozelos o suficiente pra usar outra, mais dura.

Mas lá estava eu, linda, me equilibrando como podia, tentando fazer a coreografia toda (era a valsa das flores, sete minutos de sofrência). Eventualmente, eu conseguia. Momentos felizes.

Até o CATAPLOFT

Caí e torci o tornozelo (essa foi a primeira vez). Daí foi morro abaixo, né. Parei de fazer aulas por umas semanas, voltei pra descobrir que estava fora da valsa, não poderia usar ponta por uns meses e fiquei putona. Saí do ballet, voltei quase 1 ano depois.

¯\_(ツ)_/¯

Triste fim da Partner Quaresma.

Pra finalizar: creio que, se continuasse a usá-la, ia me ajudar bastante. Eu sei disso hoje, mas, na época, eu não achava isso. Achava que ia quebrar rápido e nisso, partiria pra outra mais dura (ah, que novela!) Foi isso mesmo que aconteceu,  mas não foi mea culpa total. Explico no próximo post que, pela progressão aritmética deve sair em 2107

°°°

Usei a Partner Student pra tirar fotos de estúdio do último espetáculo que participei, ó só

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Né fofis? Dá um desconto que eu tava sem aulas e recém recuperada da segunda vez que torci o tornozelo  (não aguento mais falar disso!!!! Já deu de torção vlw fw)