Qual o seu propósito?

Há tempos venho questionando. Por que eu danço? E a resposta vem logo: “ora, porque me faz bem”. Mas… por que me faz bem?

 

Por que você dança?

Ficam feliz por simplesmente dançar, ou seja, se mexer? Ou fica feliz por executar corretamente um passo? Ou os dois?

Você gosta de se expressar através dos movimentos?

Você fica feliz por fazer parte de um grupo? Pela conexão? Fica feliz em seguir regras que, muitas vezes, são mais antigas que nós?

Você gosta dos figurinos, da magia, da adrenalina do palco? Ou você gosta a rotina do estudo em aula?

Você dança pra se sentir livre? Sagrada? Profana?

Ou tudo isso junto?

 

Provavelmente, dá pra explicar porque gostamos de dançar através de reações químicas no cérebro. Ou como comportamento social.

Mas por que nós, especificamente? Nós indivíduos. Você que lê este blog, e eu, que o escrevo. A mocinha que estuda contigo. Sua professora.

Pode ser algum dos motivos listados. Pode ser outro. Pode ser nada disso.

 

Mas, escrevendo este texto, a pergunta que mais se grava na minha mente é

Por que precisa ter explicação?

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O “fouetté fail” e a crítica odiosa

Hoje de manhã (28/03), pouco antes de sair para trabalhar, vi no instagram da Misty Copeland um print de um tweet falando mal dela. Não era uma crítica construtiva, não era comentário de um defeito pontual, parecia puro ódio no coração.

A moça do Twitter (procurei e parece que ela apagou a conta) dizia que a Misty era “a PIOR”, que era uma vergonha para o ABT tê-la como bailarina principal, e ainda jogou nela a culpa de considerarem o ballet americano uma piada. Misty, classuda ao extremo, escreveu sua resposta. Você pode ver, em duas partes, aqui e aqui. [Para os que não falam inglês, uma tradução rápida do tweet: “é por ISSO que a @mistyonpointe é a PIOR e porque é uma vergonha o @ABTBallet tê-la como bailarina, muito menos como principal. Não surpreende o resto do mundo pensar que o ballet americano é uma piada”. Vou dever a tradução da resposta.]

Eu senti, naquela hora, um fundo racista muito rasteiro ali. Não tinha tempo de ver o vídeo, então não abri o link. Mas saí de casa com essa sensação.

Ao voltar, a queridíssima Sarah (que agora escreve posts aqui também , vocês – três leitores – notaram?), enfim, a queridíssima Sarah comentou comigo sobre essa polêmica. Aí sim, parei pra ver o vídeo e…

Tive certeza. Era racismo.

Pode parecer que é exagero ou vitimismo. Estamos em tempos difíceis, onde a luta dos oprimidos é desdenhada e diminuída a todo custo, quando dizem coisas como “negros que enxergam racismo em tudo” ou “não pode dizer nada contra um negro que eles falam que é racismo”. Mas não é.

Para descobrir se tal fala é racista, é simples. Faça a pergunta: falariam isso se essa pessoa fossa branca? Se não, pronto, é racismo. É a mesma lógica do sexismo, se não fizessem/falassem do mesmo jeito com homens, é sexista, machista.

Vamos analisar. Misty se preparou para os fouettés da coda do pas de deux do terceiro ato de O Lago dos Cisnes. Fez piruetas e puxou o primeiro fouetté, só que não conseguiu subir na ponta.

Esse erro só nota quem faz ballet! Vocês podem olhar nos comentários, várias pessoas dizendo que não notaram erro algum. É uma besteirinha insignificante na carreira de uma bailarina. E pode ter sido por tantos motivos! Pouco breu e linóleo escorregadio, sapatilha que ficou mole demais – ela já dançou o pas de deux todo e a variação, e o pé dela parece um cavalo de forte -, bateu luz nos olhos, não pisou direito, pode ser que a unha dela tenha quebrado nesse exato momento, e se ela tava num dia ruim? Ou pode não ter sido nada, só aconteceu. Shit happens! Ninguém é perfeito, nem será.

Na escala dos erros, eu daria para esse um sincero 2.

Depois disso, acho que a Misty não se sentiu segura o suficiente (por isso eu acho que foi a sapatilha, ou, no mais, fadiga muscular?) para terminar a música com fouettés e fez piqué tours. Não chamo nem de erro, chamo de adaptação.

Uma adaptação é feita todos os dias em todos os ballets, tenho certeza, em maior ou menor grau. Bailarinos ensaiam para fazerem o melhor e o mais fielmente possível à coreografia, mas também treinam todo dia e se apresentam diversas vezes para terem jogo de cintura e driblarem situações adversas.

Acontece que foi feita uma adaptação numa parte conhecidíssima, e, portanto, a notamos. Além do mais, algumas montagens já apresentam essa parte igualzinha à que a Misty fez, e outras nem fazem fouettés.

Eu tô tão besta com esse vídeo, gente, porque é tão insignificante! Tem bailarino que cai de cara, de bunda no chão, e se recupera, como a Misty se recuperou.

Quero aproveitar o assunto para outro comentário, também pertinente. Quando assisti ao Royal, uma bailarina entrou correndo no palco e, na hora do passo (um piqué com développé), a sapatilha escorregou e ela caiu de popô. Eu nem tchum, mas o público, rapaz, fez um OH! em conjunto e aquilo reverberou naquele teatro gigantesco. Esse OH! gelou a minha espinha. Parece que a bailarinos não é permitido o erro. Que ideia é esse de perfeição que insiste no meio do público? (Isso puxa gancho pra oooutro post que quero fazer. Tá tudo ligado, isso é muito Dirk Gently).

Voltando. E desses bailarinos que chegaram a cair, você ouviu um piu desse tamanho? Dessa bravura? Duvido.

É desonesto usar um trecho isolado de uma carreira inteira e classificar a bailarina como A Pior, A Vergonha do ABT. Não falariam isso se fosse qualquer outra bailarina branca. E essa moça ainda deslegitimou a conquista da Misty! Como ela pode ser tão maldosa em tão poucos caracteres?!?!

Isso é ódio no coração.

As críticas à bailarinas brancas são pontuais, erros de performance. Já a Misty foi declarada vergonha da companhia. Essa avalanche de impropérios só seria jogada contra uma bailarina branca se ela errasse muito, mas muito mesmo. Por que negras são atacadas por muito menos?

Sabemos a resposta.

Negros tem que ser 10 vezes melhores para terem uma chance. Qualquer coisinha é uma desculpa para desmerecer sua conquista. Qualquer erro é desculpa para tirar seu destaque.

E, vamos combinar, Misty Copeland tem muito destaque. Não só como bailarina, mas como bailarina e mulher negra (ela mesma cita essa condição em sua resposta. Até que ponto pode-se ou não separar suas figuras?).

Misty é responsável por uma nova onda de espectadores no ballet, espectadores negros. Ela traz um tipo físico novo ao cenário. Ela fala com públicos que eram ignorados, que se sentiam ignorados. Ela abre portas para bailarinas negras em companhias pelo mundo todo. Ela inspira alunas a seguirem seus sonhos. Ela carrega uma responsabilidade enorme e é um alvo fácil para comentários como esse. Imaginem o quanto de besteira que ela já ouviu!

Mas, ainda bem que o mundo tem muito amor por ela! Muitos bailarinos se manifestaram em seu favor. Cá estou eu, me manifestando também.

Misty é um marco na história! Não deixemos ser diminuída  por fouettés a menos.


[Sarah]

Hoje começou como um daqueles dias em que eu rezo pro tal cometa chegar logo.

Assim como a Cyndi, abri o Instagram e me deparei com uma imagem de um tweet extremamente agressivo, pra não dizer ofensivo, criticando a Misty Copeland e o ABT.

Na hora fiquei assustada. Achei que algo grave tivesse acontecido, mas ao mesmo tempo nada que passava pela minha cabeça parecia ser o suficiente para justificar aquela… Violência.
Depois de ler a resposta da Misty, em duas partes, fui atrás do vídeo.
Sinceramente, esperava vê-la caindo de boca ou pagando outro mico enorme no palco – e, como eu disse, ainda assim, nada parecia o suficiente para justificar a reação daquela pessoa. Nada ERA o suficiente para justificar a reação daquela pessoa.

O vídeo: a coda do grand pas de deux do Cisne Negro, nossa velha conhecida, dançada por Misty Copeland e Herman Conejo.

Misty entra, se prepara, puxa os fouettés. Ocorre que ela não usou toda o tempo da música que as bailarinas geralmente usam pra girar, e improvisou com uma sequência de piqués.

Se a Cyndi não tivesse falado, eu nem ia ter reparado que ela não sobe na ponta. Tive que rever o vídeo pra perceber.
Sinceramente, gente: quem nunca?
(Eu, porque nunca girei um fouetté na vida, quem dirá na ponta. Mas segue o baile).

E sim, eu também senti que havia algo a mais naquela fala tão agressiva. Também senti que a autora do tweet foi racista. NÃO, não é vitimismo. Não é mimimi. É a realidade. Não vou me estender muito nesse assunto, porque não me cabe, mas achei importante destacar isso.

Artistas, principalmente os que se apresentam ao vivo, estão permanentemente expostos a riscos. Risco de errar o tempo, de perder a música, de se confundir na marcação de palco, de esquecer o texto e… De não conseguir executar um passo. Há uma frase, vou ficar devendo o autor, que diz, “se você nunca falhou, então nunca fez nada na vida”.

Misty ralou muito pra chegar onde chegou. Conseguiu o posto de primeira bailarina de uma das companhias mais importantes dos Estados Unidos (pra não dizer do mundo) com muito esforço. Pra vir uma fulana e dizer que porque ela não conseguiu um dia completar a sequência de fouettés ela é a pior bailarina que existe? Quero ser ruim assim!

Nesse momento, pensei: “acabou. É isso. O ballet clássico pode fechar para balanço. Eu desisto.”. Mas fui ler os comentários.

Gillian Murphy, Julie Kent, Marcelo Gomes, Steven McRae, Ingrid Silva (do Dance Theatre of Harlem), sem falar nos milhares de fãs e anônimos, imediatamente se mobilizaram e encheram as redes sociais da Misty de amor e admiração, reproduzindo (de coração, acredito) um discurso que a gente vem propagando há tempos: ballet clássico é muito mais do que fouettés. O Lago dos Cisnes é muito mais do que fouettés. O cisne negro por si só é muito mais do que os fouettés: se a bailarina não convencer que esta seduzindo o Príncipe Siegfried, não vai adiantar nada incorporar o pião.

Até quando vamos medir o quanto uma bailarina é boa pela quantidade de giros que ela consegue executar ou pela altura que sua perna chega? Francamente, Margot Fonteyn e Maya Plisetskaya devem se revirar no túmulo toda vez que alguém faz isso.

Um sopro de esperança: a matéria da Pointe Magazine (link). Depois de narrar a história toda, eles fecham com chave de ouro: “Obrigada, Misty, por nos lembrar que ballet é mais do que técnica – e que mesmo os profissionais têm dias ruins (e tudo bem)”.
Obrigada, Misty.

Fofa? Acho que não

Não sei se porque estava no meu período fértil ou porque estava cansada de estereótipos, mas tenho pensado nos personagens de ballet que são ~sensuais. Nada de fadinha, princesa, ou de cavaleiro encantado.

Fiz uma seleção (com os poucos que me lembrava) e resolvi trazer pra cá!

A primeira que veio à minha mente não foi a Kitri Kliché, foi a quinta variação de Raymonda. Mulher forte é sempre sexy. ESTEJE seduzida(o).

Aqui com a Sylvie Guillem porque.

Em seguida, Manon, aquela loca. Pelo que entendi (não conheço a história), num joguinho de sedução com dois de vez! Hahah

Aurelie Dupont faz um sensu sem ser vulgar, gostei.

Também acho muito sexy essa variação de Suite en Blanc, Cigarette, que já apareceu aqui outras vezes.

Agnès Letestu. Não gosto muito da pessoa dela, mas a bixa dança demais, aff.

Aurelie Dupont entra de novo na lista com a variação da mulher em verde (não lembro se é a primeira ou a segunda), de Dances at a Gathering.

Amore, olha pra essa confiança e autossuficiência!!!!!!

E, pra não dizerem que eu não olhei nada nos clássicos (ow, raymonda é o quê?), a variação do casamento de Paquita! Esses cambrés são sexy and she knows it.

Lopaktina! Dona!

Não sei muito qual foi meu critério. Todas usam bem os braços e as músicas estão na mesma vibe… Será isso?

Achei difícil lembrar de variações masculinas que não fossem só elegantes, de príncipe. Então fugi dos príncipes o/

A variação mais testosterona que existe  (mentira, que eu vi) é a de Chamas de Paris. Né?

Ivan Vasiliev vai quebrar o chão e furar o teto, oloco.

Também lembrei dessa aqui de Dances at a Gathering  (perdoa, gente, eu amo esse ballet!!!). Não sei se acho mais sensual ou poético… hm. Sensuético?

Eu amo tanto essa. Queria  dançar, já me dei de presente de aniversário, decorei e tudo. Um dia, quem sabe!

E PRA FECHAR COM CHAVE DE OURO

Uma coreografia unissex! Bolero!!! Rá!

Coloquei aqui com um homem, mas tem muita mulher dançando essa também! É lindo e arrupiante dos dois jeitos.

E você, está seduzido? Aumenta a listinha, conta pra  gente o que achou!

Sonatina

Ontem, o Thiago Soares postou em sua página do Facebook o vídeo de uma coreografia de sua criação, desenvolvida para o programa “Draft Works” do Royal Ballet. De vez em quando, o Royal permite que seus bailarinos atuem com um pouco mais de liberdade, criando coisas novas – vale lembrar que a montagem mais recente deles de Don Quixote, que estreou em 2013, foi toda produzida pelo Carlos Acosta, que, na época, era primeiro bailarino da companhia junto com o Thiago.

Nas palavras do coreógrafo: “Sonatina é uma coreografia criada para o programa “Draft Works” do Royal Opera House esse ano para três lindos bailarinos: James Hay, David Yudes e Isabela Gasparini.
Como uma sangria de compositores, quis misturar Schubert, Curtis Probel e Ernesto Lecuona com Zequinha de Abreu, deixando aflorar a influência de minhas raízes brasileiras… você vai notar um quê de Carmen Miranda na coreografia da bailarina. Foi a realização de um sonho poder criar Sonatina.”

Achei a coreografia uma graça! Tão levinha… Mal posso esperar para vê-la nos palcos do Covent Garden.

Não tem nenhum vídeo disponível no Youtube, mas o post na página do Thiago, aqui.

Vendendo

Olá, você que está precisando de um figurino de ballet do tipo vestido pra princesa na cor creme!

Eu sou a Cyndi, e estou vendendo um figurino de ballet do tipo vestido pra princesa na cor creme! Usei uma vez só e não tenho mais o que fazer com ele. Precisa de um lar novo. Ele gritou agorinha aqui que precisa de palco, precisa ver gente.

Vamos ajudá-lo?

Se liga como é lindão

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Aqui o link para compra no Mercado Livre. Quem quiser, podee mandar um email pra gente conversar também. E quem mora no ES também pode ver se consegue pegar comigo o/

 

Valentine’s!

Por aí,  no mundo, é comemorado o Dia de São Valentim. É mais ou menos um Dia dos Namorados pra gente aqui, mas também é para amigos e pessoas queridas.

Então, eu que não fumo, queria um cigarro não sou de comemorar feriado algum, e eu, que não publico há exato um mês e não queria que assim fosse, resolvi trazer meus pas de deux favoritos!

Nunca o fiz porque não gosto muito de pas de deux, principalmente os clássicos, mas esses aqui roubaram meu coração e me dão vontade de dançar com o crush.

Tchaikovsky Pas de Deux, de Balanchine. Com Darcey Bussel (MARAVILHOSAAAAAAAAA) e Zoltán Solymosi.

Acho o pas mais romântico de todos. Adoro a música, a elegância da Darcey, a leveza do figurino!

 

Waltz Pas de deux, Dances at a Gathering, de Jerome Robbins. Com Karl Paquette e Ludmila Pagliero.

Esse pas é tão dramático e íntimo! Eu sou muito suspeita, porém, adoro esse ballet todo. Havia outra pas que eu queria incluir, mas achei 3 vídeos demais pra um post tão curtinho. Para os curiosos, é este aqui (gosto imenso quando o bailarino dança tanto assim).

Eu também amo o pas de deux da Waltz Girl em Serenade, de Balanchine. Aqui com a Sara Mearns e Jared Angle.

Vamos compartilhar o amô e os pas de deux favoritos! ❤

Notas de uma bailarina tímida

Sabe quando você tem uma característica e toma como certo que vai ser sempre assim? “Eu sou animadona e isso não vai mudar”, “Eu gosto de usar roupa preta e vai ser assim pra sempre”, “Vou manter meu cabelo longo e cabô”. Uma característica que você carrega no íntimo e parece ser a definição – junto de outras características – de quem você é?

Uma das minhas é a timidez. Ou era.

Vejam bem: antes, me chamar de tímida era falar que água é molhada. Mas, hoje em dia, eu quase brigo com as pessoas para elas acreditarem que eu sou tímida. “Eu sou sim!” É quase como se elas estivessem negando, ou não enxergando, uma parte inerente da minha personalidade.

O bom de crescer é que você percebe que suas certezas adolescentes são tão firmes quanto gelatina. Percebi que a minha timidez está sumindo aos poucos e… ¯\_(ツ)_/¯

Pra começar, eu era uma criança muito tímida, ratinho de biblioteca e com poucos amigos. Eu sempre falava rindo e tinha uma dificuldade enorme de conversar olhando nos olhos das pessoas. Quando nova, eu não via problemas nisso, claro, mas, cresci um pouco e percebi como poderia me prejudicar.

Acho que o primeiro baque foi quando fui apresentada a uns amigos de minha amiga e um deles perguntou a ela, depois, se eu tinha ~problema. Eu fiquei embasbacada! Foi aí que comecei a me observar e me corrigir.

A primeira coisa que tentei mudar foi olhar nos olhos. Me forçava até ficar desconfortável, mas era importante pra me acostumar.

Porém, logo em seguida, comecei a fazer ballet. E lá eu fui forçada a enfrentar mais desconfortos. Mostrar o corpo, para quem é tímido, é sacrificante. Pessoas te observando e corrigindo? Um martírio. O rosto fica quente, as mãos suam, a voz não sai. Tem gente que trava o corpo inteiro. Mas essas situações são importantes, elas aumentam o coro do “sobrevivi!!”.

Porque é isso, né, a timidez é o medo de se expor.

Se você enfrenta esse medo, ou seja, se expõe, e sobrevive todas as vezes, (ou quase todas, hehe! às vezes rola um mico básico), o medo diminui.

E a gente se expõe demais no ballet. Expomos o corpo, expomos as falhas, expomos nossos medos e fraquezas. A partir do momento que você abraça essas situações como necessárias e inevitáveis, além de completamente normais, você se solta.

E, miga, ninguém tá olhando tanto assim pra você. Tem um espelho enorme lá e todo mundo é meio narcisista no ballet.

Ah! Sabe quando você tá no ônibus e  tira um cochilo, aí dá aquela pescada? Você acorda toda assustada e olha pros lados achando que todos estão rindo de você, mas, SURPRISE, ninguém nem viu! A vida é assim! E se viram, bulhufas, ninguém te conhece e vão ou não dar importância ou esquecer disso em dez minutos.

Então, pra fechar, as dicas-modo-conciso são:

  • Enfrente sua timidez. Ser tímido não é anormal, mas nós sabemos que a timidez atrapalha nossa vida social e limita a quantidade de coisas incríveis que podemos fazer.
  • Exemplo de coisa incrível que perdemos: pedir mais ketchup quando o seu acabou.
  • Se exponha! Você vai sobreviver! Confie em mim. Eu era um casulo e hoje sou uma borboleta boba.
  • “Olha como eu sou engraçadinha, que bobinha eu”
  • Crie confiança em você mesmo, e não se importe tanto assim com o que os outros pensam.
  • Nobody yes door
  • (Essa eu não comentei lá em cima, mas lá vai:)
  • Rir!!
  • É!!
  • Ótimo!!
  • Rir de si mesmo deixa a situação mais leve, tira a tensão de que você acha que estão todos te julgando e rindo de você, porque agora estão rindo com você. Percebe a diferença? 😉
  • Sério mesmo! Humor foi minha maior ferramenta.
  • Criar um blog e fazer críticas ao professor e só saber que ele o lê quando ele comenta seus posts em aula também ajuda.

Gentes, eu já perdi as contas de quantas vezes eu falei “rapaz, eu fiz ballet. Tive que dançar de collant e sainha na frente de um monte de gente. Cê acha que eu vou ter vergonha disso?” Porque, né, mais da metade das situações embaraçosas (leia-se: para um tímido. Pedir guardanapos no balcão da lanchonete, jogar o lixo na lixeira do outro lado da sala, etc) fica FICHINHA perto disso. Né não?

°°°

E, pra quem quer um papinho mais científico, eu li este artigo e adorei.